Quantas arquitetAs você conhece?

Quando falamos de arquitetura, automaticamente lembramos das curvas de Niemeyer, os grandes edifícios modulares de Le Corbusier (Unités d’Habitatio), os projetos tecnológicos e sustentáveis de Renzo Piano, ou até mesmo a incrível ampliação do Museu do Louvre, projetada por Ieoh Ming Pei, e outros nomes como Frank Lloyd Wright e Philip Johnson, porém, hoje viemos falar de dois grandes exemplos, nacional e internacional, Lina Bo Bardi e Zaha Hadid, mulheres com únicas e distintas histórias de vida e com obras arquitetônicas que atingem as diferentes áreas do ofício.
“Escolher essas duas mulheres para representar a presença feminina na arquitetura não é só uma resposta aos anos de repressão que elas viveram, é também um alerta a estudantes, profissionais e pessoas que vivem a arquitetura diariamente. Mesmo depois de tantas conquistas sociais, a atuação profissional e consequente reconhecimento dessas profissionais têm sido prejudicados pelo simples fato de serem mulheres. Chama-se atenção aqui para os inúmeros papéis desenvolvidos por essas ao longo de suas vidas, e principalmente, para o fato de como suas existências, permeadas de restrições e preconceitos, foram capazes de produzir obras de qualidade técnica e estética tão expressiva. São edifícios comerciais, residências, museus, intervenções urbanas entre inúmeras outras manifestações artísticas que de alguma forma mostram também o papel da mulher na arquitetura. Papel esse muitas vezes lembrado pela preocupação social, pelo gesto familiar... São características de fato relevantes e bastante presentes, mas que não devem reduzir projetos que possuem preocupações de caráter tão amplo quanto o próprio exercício da arquitetura.”- ArchDaily 


Lina Bo Bardi

Lina Bo Bardi

Vinda de uma família genovesa de poucos recursos, ela não deixou que isso abalasse e com toda a força que tem uma mulher, se tornou a maior arquiteta até hoje. Suas obras que emanam simplicidade, clareza e convívio, chamam atenção pelo estilo moderno, pela preocupação com o entorno e pela atenção dada a convivência entre os que interagem com suas criações. Estamos falando de Lina Bo Bardi, que ganhou destaque pela construção de obras com conceitos incrivelmente sólidos. Lina nasceu na Itália, mas escolheu o Brasil como sua nação, a frase “ MULHER É SEXO FRÁGIL ” nunca se encaixou no perfil dessa mulher, ela sempre teve atuação no cenário político, conviveu intensamente com a guerra em relação ao fascismo italiano e teve seu escritório bombardeado durante a segunda guerra mundial, mas nada que abalasse o forte psicológico feminino, que continuou fazendo parte da luta política. Suas obras retratam a crença de que não é apenas construção e sim poesia e serviço coletivo. Lina poderia ter desistido. Se falarmos do fato dela ter enfrentado uma série de dificuldades por ser mulher e estrangeira numa época de machismo e nacionalismo, mas ao invés disso, se tornou uma arquiteta artista plástica, cenógrafa, professora e muito mais, mostrando o que seu sexo não determina seu lugar. Foi uma das poucas arquitetas que conseguiu unir o moderno ao popular. Em 1951, projetou sua própria residência, a famosa Casa de Vidro no bairro Morumbi, em São Paulo, considerada uma das obras paradigmáticas do racionalismo artístico no Brasil, a casa se tornou Patrimônio Histórico e hoje abriga o Instituto Lina BO e P.M Bardi, seu esposo. Sua principal obra é o Museu de Arte de São Paulo, o famoso MASP, construído graças a ideia de seu marido e de Assis Chateaubriand. Lina considerava o projeto simples e monumental, queria uma arquitetura minimalista que pudesse comunicar de imediato aquilo que no passado se chamou de monumental, onde não procurou beleza e sim a liberdade. Desde 2003 o edifício é protegido pelo IPHAN. Em 1997, Lina deu início ao projeto Sesc Pompeia que se tornou referência na arquitetura brasileira e também no estrangeiro, incorporou características da arquitetura americana e brasileira e hoje é considerado um dos espaços mais democráticos da capital paulista. O projeto acabou muito moderno e revolucionou as construções da época. Podemos então dizer que ela é um ícone e referência de força feminina, exemplo de que preconceito é apenas uma das pequenas barreiras que a mulher consegue derrubar.



MASP



Sesc Pompeia


Zaha Hadid


Zaha Hadid
Se é para falar de importância do papel feminino na sociedade e de exemplo de quebra da ignorância dos machistas, temos que falar de Zaha Hadid, a famosa “ Rainha das Curvas ”. A Árabe, é uma lenda da arquitetura mundial, conhecida como aquela que dá vida aos projetos ousados em todo mundo, é visionária e pioneira. A sua contribuição ao mundo da arquitetura foi revolucionária e inovadora. Sua força na hora de se impor em relação ao lugar da mulher na sociedade é facilmente notável, principalmente no mundo da arquitetura dos negócios, no qual sempre sofreu preconceito, por ser um setor muito duro e dominado por homens. Mas não culpemos só os homens. A sociedade não está pronta para aceitar e permitir que uma mulher pode se igualar ou até superar os homens no ramo profissional. Zaha deixou de lado todo o preconceito e se empenhou ao máximo, tendo como resultado a vitória em diversas competições internacionais, nos quais alguns de seus projetos vencedores nunca foram nem construídos. Foi a primeira mulher e pessoa árabe a receber o Pritzker, o Nobel em Arquitetura. Em 2015 ela massacrou a superioridade masculina ao ganhar medalha de ouro do Royal institute of British Architects. Tornou-se uma excelente designer, capaz de aplicar o seu talento a joias, móveis, sapatos, bolsas, barcos e até nas roupas que vestia. Em suas obras há um novo modo de conceber o espaço arquitetônico e plano de energia com características capazes de prefigurar o que nossos olhos visam do futuro. Alguns de seus principais trabalhos são:  Riverside Museum Chanel Mobile Art Pavilion, Maxxi, o primeiro Museu de Arte Contemporânea de Roma, entre outros ícones. Faleceu em 31 de março de 2016, devido a um ataque cardíaco. Porém, com todo exemplo sua caminhada e história de vida, deixou um “recado” aos homens e à sociedade: 
        "Nunca desacredite, deboche ou tente parar a força feminina ! Porque essa força existe, só falta coragem daquelas que se sentem intimidadas, mas não é preciso se igualar aos homens, a mulher é mais que isso, podemos simplesmente superá-los."


 Riverside Museum Chanel Mobile Art Pavilion


~Aryane
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Referências

Comentários

  1. Parabéns Aryane pelo esforço de tentar retratar a história dessas duas grandes mulheres com singelas mas rebuscadas palavras, e agradeço por existir ainda adolescentes que não se preocupam apenas com coisas vãs mas que se preocupam com o essencial e que não deixam que as coisas superficiais influenciem o seu conhecimento, muito pbrigado por cada palavra e vamos para a frente porque a luta contra o machismo não se ganha na opressão e sim com pequenas flechas que são lançadas, assim como esse texto ❤️

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